UM HUMORISTA IMIGRANTE (PARTE 2)
30
nov
09
Opa lelê, como vamos novamente?
Não sei se alguém lembra do meu primeiro texto aqui no JB, aqui está ele. Não comi ninguém por isso, mas foi muito legal, recebi vários emails e o mais legal de todos foi um que me corrigia o tempo todo, falando que eu estava escrvendo errado, esquecia virgulas, cometia erros de acentuação, dicas pra melhorar as piadas e eu tenho uma coisa a dizer.
CAGUEI!
Nunca escrevi certo na faculdade, por que vou escrever agora? Ele também comentou o titulo do Post que é CONSIDERAÇÕES DE UM HUMORISTA IMIGRANTE . Vamos ao comentário: “Imigrante é o que troca de país, e não o que troca de estado da federação. Se você saiu de Belém do Pará e não de Belém da Cisjordânia, então você é um humorista migrante apenas.”. Bom, já que eu saí de Belém e não de São Paulo, o IMIGRANTE pode ser considerado uma piada… ou não, isso pode ser só uma desculpa furada.
Mas hoje quero escrever, não sobre morar sozinho, mas sobre morar no Rio de Janeiro e pra começar vou por um dado importante.
- 40 DIAS MORANDO NO RIO DE JANEIRO SEM SER ASSALTADO (não to contando os preços do mercado Zona Sul).

O Rio é uma cidade onde TODO MUNDO MALHA! O que não é o meu caso. É muito difícil ser magro e branco no Rio de Janeiro, é como ter um bom coração nos EUA, o preconceito é grande, você não consegue fazer amigos. As vezes eu me sinto um aleijado, tem gente que não tem perna, eu não tenho músculos definidos. EU passo nas ruas e fico com vergonha, as pessoas olham com desprezo, como se estivessem pensando “Como esse cara tem coragem de sair de casa assim?”.
Pra mim isso é muito estranho, porque em Belém, antes de sair as pessoas pensam em qual roupa botar, no Rio pensam em qual roupa tirar. Todo mundo anda semi-nu. Os caras andam de sunga, as mulheres de biquíni e só quem realmente se veste são os mendigos.
E o que me da raiva é quando uma pessoa linda reclama da sua aparência. Um cara galã ou uma mulher maravilhosa começa com coisas tipo “Ai, olha minha pele! Esse cabelo… ai, olha meu cabelo! Ai olha meu nariz!” Eu digo “Ei,olha pra MIM!” Porra, para de reclamar de barriga cheia! To ficando deprimido. Se tu é feio eu sou o Amaral.

Mas eu ainda to bem perdido por aqui, tudo é longe. Eu não sou ninguém pra falar de geografia da cidade, mas a impressão que eu tenho é que em qualquer rua, se eu andar até o fim eu chego numa praia e se eu andar pro outro lado da rua até o fim eu chego numa favela.
Outra coisa é o sotaque, principalmente nas mulheres, espero que ninguém me entenda mal, mas quando ouço uma mulher com o sotaque carioca muito forte, pra mim parece uma funkeira, pode ser uma velha de 80 anos, vai parecer funkeira. É que a única referência que eu tenho de mulher com esse sotaque é em funk carioca proibidão, então quando uma mulher começa a falar eu já imagino ela falando coisas tipo “Vai mamada! Vai mamada! Eu vou dar bem devagarinho, mas o que eu quero mesmo é piróca no c…” Entende?
Desculpem, não tenho culpa. Tem quem ache que em Belém eu andava de canoa.
Mas eu to muito feliz de morar aqui, é realmente a Cidade Maravilhosa que tanto falam, cheia de praias, shows e peças legais, nulheres extremamente gostosas. Fico muito triste que ela esteja tomada pelo tráfico e violência. Porra bandidagem! Vão destruir o Piauí, o Amapá, Belém, que seja, mas deixa o Rio em paz, roubem só os turistas.
Tchau.



