PAIO FLAMBADO
14
jan
10
Eu morava no Rio de Janeiro mas fui para São Paulo visitar um tio que morava no Tucuruvi. Tinha uns 30 e poucos anos e estava solteiro, queria provar o que a maior cidade do país tinha pra me oferecer. Fui numa balada que chamava “It” no Jardins, diziam que era GLS mas na noite que eu fui a boate estava alugada e a festa era hetero. Entrei e já peguei uma cerveja pra regular a marcha lenta. Fiquei ali curtindo aquela música de playboy enquanto manjava as garotas.
Depois de um tempo – e já com uma quantidade legal de álcool no sangue – fui numa garota linda que estava dançando sozinha. Papo vai, papo vem, ela disse que era de Florianópolis mas que adorava o Rio de Janeiro, eu disse que Jurerê Internacional é a praia mais bonita do Brasil – sendo que eu NUNCA fui pra Florianópolis.
Como ela estava dando mole, eu puxei ela pelo braço e roubei um beijo. Ela gostou da atitude. Ficamos ali curtindo a música, dançando coladinho e botando fogo no coreto. Já eram umas 4h e tanto da madrugada e eu sugeri de irmos pro hotel dela, ela aceitou e pegamos um taxi. No caminho do hotel a gente se pegou quente dentro do carro e eu nem vi o tempo passar. Uma corrida que daria, no máximo, uns R$ 30,00 saiu por R$ 50,00.
Paguei sem reclamar. Foda-se! Eu queria fechar a noite com chave de ouro mesmo. Subimos e na hora de entrar no quarto ela colocou a mão no meu peito. Disse com um sorriso sarcástico na cara: peitinho! “daqui não passa, bobinho. Que tipo de mulher você acha que eu sou?” e eu “das maravilhosas e modernas?”. Ela riu e fechou a porta. Fiquei lá, com cara de besta no corredor e pensando nos R$ 20,00 que o taxista tinha me roubado.
Na frente da porta do apartamento do lado do dela, no chão, tinha um guardanapo de tecido e uma bandeja com uns tomates e alfaces que sobraram da comida que o cara devia ter pedido, mas não estavam murchos, acho que o cara tinha colocado ali há pouco tempo. Enfim, peguei o guardanapo, enrolei no braço como um garçom e toquei a campainha do apartamento dela.
Assim que ela abriu eu disse: “Foi a senhorita que pediu um Paio Flambado? Ele já está pegando fogo.”, ela riu, me deixou entrar e já foi logo dizendo: “Sirva o paio ali na cama e deixe ele pegando fogo, vou só tomar um banho e já venho”. Ganhei o dia (já estava de dia)! Eu jurava que ela iria bater a porta na minha cara depois dessa frase infame. Tirei a roupa e fiquei em baixo do lençol fazendo a barraca enquanto ela tomava banho.
Eis o ponto alto da história e o desastre daquele dia.
Eu não sei o porque, O PORQUE eu lembrei da salada do lado de fora do quarto. Levantei, fui lá fora cuidando pra ninguém me ver nu no corredor, roubei o alface e as fatias de tomate e voltei pro quarto. Deitei na cama, coloquei a guarnição em volta do “paio” e cobri. Assim que ela saiu do banheiro e me olhou com um dos olhares mais apetitosos que eu já vi na minha vida, eu tirei o lençol de cima de mim e disse: “Olha só, não está flambado mas acho que a temperatura vai te agradar”.
Pense numa moça de palavreado fino. Pois é, não era ela: “Que porra é essa! Você colocou comida no pau!? Que nojo! Onde você arranjou isso? Naquela bandeja do lado de fora? Você é um porco, idiota! Sai do meu quarto agora seu imbecil!” e eu saí, surpreso.
Porém, de uma coisa eu tenho certeza. Ela pode transar com mil homens durante a vida toda, mas nunca vai se esquecer do dia do Paio Flambado.




