TIRAS DE QUARTA

7
out
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Quando se deu conta, já estava de cabeça para baixo vendo o asfalto passar muito rápido pelo teto da viatura. O Paulo, ou melhor, o comandante Fonseca achava que era só no cinema que os carros capotavam depois de um tiro no pneu, mas não, o coração estava saindo pela boca quando a viatura parou no poste.

Pendurado pelo cinto de segurança, o Fonseca não pensava em outra coisa a não ser no tamanho do esporro que iria levar do capitão. Uma perseguição de nada, só um playboy que tinha furado a blitz da Lei Seca e o resultado era uma viatura destruída.

Mas ele não estava puto só pelo capotamento, estava puto porque tinha uma fatia de culpa nessa história. Entenda, a bala que furou o pneu do carro não foi disparada pelo playboy fujão, foi da arma do Nascimento, o policial recém formado na academia e que estava em sua primeira perseguição. Que mandou o Nascimento sacar a pistola foi o Fonseca e quem pediu para disparar ela também, mas era pra ter sido pra cima, um salvo, e não para baixo, furando a lataria do carro e estourando o pneu.

O Fonseca ficou ali, parado, com a cabeça inxada do sangue do corpo fazendo pressão para baixo. O Nascimento até tentou puxar papo, mas o Fonseca não estava de bom humor.

- Desculpa, comandante.
- Cala a boca, Nascimento.
- Disparou sozinha, quando eu peguei…
- Cala a boca!
- Quando eu peguei ela…
- Mais uma palavra e eu enfio essa pistola no seu cu, Nascimento!

Quando chegaram para trabalhar na blitz no dia seguinte a galera já tinha dado o apelido: os tiras de quarta, ou melhor, de quinta!

***

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