TIRAS DE QUARTA
19nov
10
Otávio gostava dos jantares na casa dos Almeida que sempre aconteciam na primeira sexta-feira de cada mês. Pedro Almeida, o Almeidinha para os amigos, era um dos mais antigos funcionários da empresa, diziam que “já tinha enterrado três chefes do setor, assim como uma viúva faz” pelo fato de ter substituido outros três gerentes.
Vânia, esposa de Otávio, achava aquilo tudo uma perda de tempo. Dizia que Célia era insuportável e a única mulher com bafo que ela conhecia. Certa vez chegou a dizer “um Cosmopolitan pra mim e um Pinho Sol para ela” quando Célia sugeriu que Vânia pedisse um drinque ao garçom.
O Almeidinha fingia que não via, mas o Otávio sempre se manifestava contra a esposa nesses casos. Corria um boato que o Almeida só chamava o Otávio para as festas pois este era um homem de posses, influente no meio, bem relacionado e um daqueles tipos de cara que livram a gente de qualquer encrenca.
Entre as amigas, Vânia era rainha. Todas achavam o humor dela ácido, satírico e adoravam o jeito despachado com que Vânia tratava todo mundo. Decidida, firme e sempe confiante, só dava tiro certeiro quando o assunto era caçoar a vida de alguém. Otávio já não aguentava mais, o pessoal já estava comentando pelas costas. Há dois meses não aparecem na casa dos Almeidas, dizem que o motivo é um só:
Otávio não queria mais ouvir as SaTiras de Sexta da sua esposa.












